Imagem sem coração
Que minha alma não desista
Da minha imaginação
Imagem sem emoção,
Que minha alma não permita,
Que eu me torne televisão.
“Fita verde mais se assustou, como se fosse ter juízo pela primeira vez. Gritou: — Vovozinha, eu tenho medo do Lobo!... Mas a avó não estava mais lá, sendo que demasiado ausente, a não ser pelo frio, triste e tão repentino corpo.”
“(...) Mas sei bem que toda interpretação empobrece o mito e o sufoca: não devemos ser apressados com os mitos; é melhor deixar que eles se depositem na memória, examinar pacientemente cada detalhe, meditar sobre seu significado sem nunca sair de sua linguagem imagística. A lição que se pode tirar de um mito reside na literalidade da narrativa, não nos acréscimos que lhe impomos do exterior.”
“(...) qualquer um, independente das habilitações que tenha, ao menos uma vez na vida, fez ou disse coisas muito acima da sua natureza e condição, e se a essas pessoas pudéssemos retirar do cotidiano pardo em que vão perdendo os contornos, ou elas, a si próprias por violência se retirassem de malhas ou prisões, quantas mais maravilhas seriam capazes de obrar, que pedaços de conhecimento profundo poderiam comunicar, porque cada um de nós sabe infinitamente mais do que julga e cada um dos outros infinitamente mais do que neles aceitamos reconhecer.”
“— Assim é, mana egüinha... Não temos mais Kuzmá Ionitch... Foi-se desta para melhor... Pegou e morreu, à toa... Agora, imagina tu, por exemplo: tu tens um potrinho, e tu és a mãe desse potrinho... E de repente, imagina, esse mesmo potrinho se despacha desta para melhor... Dá pena ou não dá?
A egüazinha mastiga, escuta e esquenta com seu bafo as mãos do dono...
Iona se deixa arrebatar e conta-lhe tudo...”
"— Papai, inventei uma poesia.
— Como é o nome?
— Eu e o sol. – sem esperar muito recitou: - “As galinhas que estão no quintal já comeram duas minhocas mas eu não vi."
"Mas se nos sobrar bastante discernimento e se não devorarmos simplesmente as obras completas – esses milhões de palavras – poderemos ainda ter esperança de progresso. Entretanto, não devemos ficar atolados no pântano de nossas teorias. Não devemos nos deixar iludir pelos pensadores vagos, dúbios, compartimentados, que num momento nos dizem que o próprio mestre encarava suas idéias como meras teorias e, que no momento seguinte reagem com indignação quando temos idéias próprias (...)."
"É Ela! É Ela! É Ela! É Ela!
É ela! é ela! murmurei tremendo,
E o eco ao longe murmurou - é ela!
Eu a vi... minha fada aérea e pura -
A minha lavadeira na janela!
Dessas águas-furtadas onde eu moro
Eu a vejo estendendo no telhado
Os vestidos de chita, as saias brancas;
Eu a vejo e suspiro enamorado!
Esta noite eu ousei mais atrevido
Nas telhas que estalavam nos meus passos
Ir espiar seu venturoso sono,
Vê-la mais bela de Morfeu nos braços!
Como dormia! que profundo sono!...
Tinha na mão o ferro do engomado...
Como roncava maviosa e pura!...
Quase caí na rua desmaiado!
Afastei a janela, entrei medroso...
Palpitava-lhe o seio adormecido...
Fui beijá-la... roubei do seio dela
Um bilhete que estava ali metido...
Oh! de certo... (pensei) é doce página
Onde a alma derramou gentis amores;
São versos dela... que amanhã de certo
Ela me enviará cheios de flores...
Tremi de febre! Venturosa folha!
Quem pousasse contigo neste seio!
Como Otelo beijando a sua esposa,
Eu beijei-a a tremer de devaneio.
É ela! é ela! - repeti tremendo;
Mas cantou nesse instante uma coruja...
Abri cioso a página secreta...
Oh! meu Deus! era um rol de roupa suja!
Mas se Werther morreu por ver Carlota
Dando pão com manteiga às criancinhas
Se achou-a assim mais bela, - eu mais te adoro
Sonhando-te a lavar as camisinhas!
É ela! é ela! meu amor, minh’alma,
A Laura, a Beatriz que o céu revela...
É ela! é ela! - murmurei tremendo,
E o eco ao longe suspirou - é ela!"
por onde vc anda? televisivo?
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