“Fita verde mais se assustou, como se fosse ter juízo pela primeira vez. Gritou: — Vovozinha, eu tenho medo do Lobo!... Mas a avó não estava mais lá, sendo que demasiado ausente, a não ser pelo frio, triste e tão repentino corpo.”
domingo, 14 de março de 2010
Consideração breve sobre não estar conseguindo escrever
Puta que o pariu, que merda.
Aonde está a porra do tempo? Em que buraco negro se meteu essa entidade sem forma, por vezes considerada dimensão, por vezes unidade de medida de mudanças no espaço, que eu não encontro mais? Tudo me parece urgente e inadiável. Tudo, exceto o que, quando eu paro de fato para refletir sobre o essencial, me vem a mente. E aí? É curioso e frustrante pensar o que mais um homem pode ter, além de tempo; Só quem não tem tempo são os mortos, esses sim, seu tempo já foi. O que são então os vivos que não tem tempo, mortos-vivos? Robôs? A sensação é de piloto automático. Programação concluída, agora é esperar o fim do download, o desenrolar do prometido, o desenvolver do calculado. Se já está tudo pensado, que me importa o resultado? Quem quer o final que já conhece, determinado?
ROTINA, ROTINA, ROTINA! O inferno está em você ou nos outros? No repetitivo, não tenha dúvida. No previsível. No amanhã que já passou, e no depois de amanhã que já passou também.
Ocupar o tempo, missão dos imbecis. ACUMULAR! Palavra do momento... Mais, mais, mais. Mais tudo, menos tempo. Tempo cada vez menos. Rápido que a vida vai passar, ajuste-se, estude, se forme, garanta seu futuro - esqueça seu presente, o passado nem mencione - que vai dar certo. Quando o futuro vai chegar mesmo? E a tal recompensa?
O que vale tanto quanto a minha juventude que no fim desta loucura toda eu vou ganhar? De duas uma, ou é muito valioso o prêmio, ou nossas vidas que estão valendo pouco...
Ah, e quem precisa de mais um adolescente sem causa resmungando na internet?
É tempo de absorver. Expandir!
Resolvi me dar um tempo, verdade seja dita: às 4h da manhã, que é quando dá. Mas, mesmo assim um tempo! E vou gastar reclamando da falta de tempo? Puta que o pariu, que merda.
Pra onde agora? É uma merda, nós sabemos...
O importante é ser feliz; e amado se possível.
E amar? Amar é inevitável, e maravilhoso!
Vou tentar escrever um poema. Ou continuar lendo o fofinho do Antônio Cândido, que era o que eu estava fazendo antes de me lembrar que já não me lembrava a quanto tempo não entrava no Silepse. Verdade seja dita: meu computador quebrou. Escrevo no da minha irmã, que já está dormindo e estou com fome. Quem sabe eu não bato uma punheta! Com essa fome não vai vingar... E a geladeira está mais vazia que o meu estômago. A competição agora é pra ver quem faz mas barulho. Ela de lá e a barriga daqui, dá até conversa. Lembrei do Marcelo Marisola, deve ter sido a história da punheta, ou o estilo que estou adotando pra esse "texto". E "o eu profundo e os outros eus" me encarando da estante.
O importante é ser feliz; e amado se possível.
E amar? Amar é todo o resto!
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mas acho que foi o hobsbawn que disse que a coisa que os soldados mais sentiam falta e mais lhes fundia a cabeça na guerra era aquilo que não tinha importância, quando tinham.
ResponderExcluirmaldita da rotina. e tbm o óbvio ululante... (mas desse quem falou foi nelson rodrigues)
sinto sua falta;
ResponderExcluirsuas palavras , citações e tudo que leio, é tudo tão lindo e agora vazio sem elas.
um abraço