“Fita verde mais se assustou, como se fosse ter juízo pela primeira vez. Gritou: — Vovozinha, eu tenho medo do Lobo!... Mas a avó não estava mais lá, sendo que demasiado ausente, a não ser pelo frio, triste e tão repentino corpo.”

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O ponto.

Ao receber uma mensagem dizendo que seu texto não seria publicado, o homem jornalista saiu atrás dos porquês que o prejudicavam. E foi entrando já logo dizendo, posso saber o motivo para não publicarem meu texto. Ao que a ele responderam, quem escolhe os textos que serão publicados não somos nós, aguarde o editor chefe. Ele não precisava de mais motivos para se enfurecer, deixou-se bufar enquanto tomou um chá de cadeira de mais de hora.
Ao contrário, o homem que autorizava a publicação dos textos tinha um espírito, nas palavras de sua secretária, zen. Embora não soubesse o que ela queria dizer com isso, imaginava que se referisse ao seu jeito calmo de levar as situações, mesmo sob forte pressão. Adorava lidar com homens nervosos, era sua especialidade. Por isso, deixou o primeiro homem de que falamos plantado esperando. Pediu que o avisassem quando ele estivesse a ponto de ir embora.
Ao tocar o telefone, a secretária lhe informou, o homem está prestes a destruir a recepção, devo dizer-lhe alguma coisa? Ele pede que lhe informem ao menos de que ordem é o problema, de estilo, gramatical, generalizado. Sim claro. Diga que o problema é um ponto, teremos que trocá-lo. Mas avise-o que não é um ponto qualquer, é um ponto muito importante. É gramatical, portanto? Pode-se dizer que sim.
Ao receber a notícia o homem ficou perplexo. Gramatical? Um ponto? Só um ponto! Mas que ponto pode ser esse? Mude-o então, quem se importa! Um ponto, onde já se viu. O homem zen então desceu e encontrou-se com o homem, agora, perplexo. Que ponto é esse, diga-me? Ah, é um ponto muito importante. Qual, qual ponto pode impedir uma publicação? É um ponto muito conhecido de todos nós, tem até nome. Pois, diga-me, rápido antes que eu morra de angústia, ponto de exclamação? Não me lembro de ter nenhum ponto de exclamação em meu texto. Não. O ponto de interrogação? Não, muito simples. Qual então? O ponto de vista. 

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