“Fita verde mais se assustou, como se fosse ter juízo pela primeira vez. Gritou: — Vovozinha, eu tenho medo do Lobo!... Mas a avó não estava mais lá, sendo que demasiado ausente, a não ser pelo frio, triste e tão repentino corpo.”

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Caligrafia

a Natália, meu amor. 

Há um traço infinito
onde olho, vejo-o
Sinto-o inteiro,
Mesmo quando é só um ponto.
Cada um ponto é o ponto. E eu também...

Às vezes o traço está perto,
Nítido e vivo comigo – e se transforma em mim.
Às vezes vai distante, perto do horizonte.
Às vezes é o próprio horizonte, às vezes vai além...

Quando vai muito longe, teimo em achá-lo.
E sei então que não me pertence, que não cabe em mim
Mesmo sendo meu, não posso aprisioná-lo. E tento não pensar nisso.

Aí, quando não teimo, escreve-me em letras belas, num arrebate voraz
Eis-me aqui, vim de onde não se conhece, chamo-me amor, dá-me a quem quiseres!

Algo mágico acontece: escrevo com ele, em letras minhas: TE AMO TE AMO TE AMO!

0 comentários:

Postar um comentário

Fique à vontade (e pontue, por favor).